Consultório de estilo, por Maria Guedes

Agora que está toda a gente de volta à rotina, vou dar início à minha rubrica Consultório de Estilo! Neste artigo mensal vou tentar responder às vossas dúvidas e/ou pedidos sobre o que usar, como usar, quando usar ou onde comprar.

Todos os meses haverá um destes artigos e um deles pode responder às vossas questões. Por isso fiquem atentos! E deixem os vossos pedidos na página de Facebook do nosso Centro, em comentário a este post, e eu terei o maior gosto em ajudar no que puder.

Este mês – e porque estamos na temática ‘Regresso às Aulas | Regresso ao Escritório’ – quero começar com um tema para o qual me costumam pedir sugestões com frequência: o que usar no trabalho?!

É certo que há tipos de trabalho diferentes que exigem roupas mais ou menos formais – o que torna cada vez mais difícil generalizar – mas continuo a acreditar que uma boa base – mais clássica – é um excelente ponto de partida para nos vestirmos de forma rápida – e sempre bem! – todas as manhãs.

Sei que estas peças parecem aborrecidas ou cinzentas, e que na maior parte dos casos, as mulheres que me deixam este pedido querem ver sugestões mais animadas ou mais moda. Continuo, no entanto, a acreditar que são estas peças que melhor funcionam e que melhor transmitem uma postura profissional, discreta, prática, fresca, arranjada, confortável e elegante.

Deixo-vos, de seguida, as peças essenciais para usar no escritório, as minhas dicas de a usar/a evitar e, por fim, exemplos de como os acessórios – mais sérios ou mais divertidos – podem fazer toda a diferença que procuram nesta categoria Wear To Work.

Vamos lá?

Outono/Inverno | Os essenciais de escritório

(sempre em registo básico e clássico, com apontamentos leves de tendência)

  • Meia dúzia de calças (usam-se as calças a direito e curtas, e também as culotes)
  • Meia dúzia de t-shirts (das mais grossas, ligeiramente cintadas, com um decote pouco profundo (e pouco subido) e com a costura dos ombros no lugar (nada de ombros descaídos ou uma gramagem tão leve que fica quase transparente).
  • Camisas! Muito na moda agora. Continuo a preferir os cortes masculinos e as cores clássicas (azul claro e branco) mas sou a favor de modelos XL e de detalhes diferentes.
    • Atenção: quanto mais original for o ‘detalhe’ menos vamos querer usar a camisa. Roupas simples são usadas muitas vezes, roupas marcantes acabam por só sair do armário em dias especiais.
  • Algumas saias; por que não? Usam-se muito e acrescentam um toque feminino. Sou defensora das saias que acabam abaixo do joelho, em linha A e de cintura subida. Ficam bem com botas de cano alto, botins e até com ténis (para quem tenha um tipo de trabalho num cenário menos conservador).
  • Um ou dois fatos porque… o power suit (ou fato completo) está de volta! E é tão prático que está mesmo a pedir para ser usado. É a solução perfeita para um look business sem falhas e sem esforço.
  • Um ou dois blazers: de lã, tweed (tendência), algodão, bombazine (muito tendência esta estação) ou mesmo em veludo; é a peça que aquece e dá sempre um toque especial a qualquer trio calças + t-shirt + botins. Ao contrário das restantes peças, ao escolher um blazer, é importante que este tenha qualquer coisa de especial.
  • Sobretudo, claro! Porque nos dias frios o resto não é suficiente, e porque nos dias de preguiça umas calças + camisola de gola alta + sobretudo fazem o look com a maior elegância. Gosto de azul escuro e cinza neste tipo de peça. O preto – por ser demasiado pesado e uma cor que obriga a ter muito mais cuidados (escovar, escovar, escovar!) diria para evitar.

A partir daqui, os acessórios – a gosto! – fazem o resto!

É importante pensar rápido na hora de vestir a roupa – e ter roupa que permita uma série de combinações – e deixar uns minutos livres para ‘condimentar’ de forma mais divertida com acessórios alinhados com a nossa personalidade, tipo de agenda ou estado de espirito.

Usar e evitar em ambiente de trabalho

A moda é cada vez mais permissiva (vale tudo a qualquer hora do dia) e os espaços de trabalho também estão a abrir mão de posturas demasiado conservadoras que se mostram, por vezes. um pouco desadequadas aos nossos dias. Esta ausência de formalismo faz com que dias da semana e fim de semana se misturem – em termos estilísticos – e que já não se saiba muito bem o que é apropriado em termos de traje, em cada cenário ou situação.

Continuo a achar que devemos honrar os ambientes onde nos inserimos – e as pessoas com quem estamos diariamente – com uma apresentação cuidada e adequada a cada momento. Assim, continuo a defender que o sexy, os statements e o conforto excessivo devem ficar fora do ambiente de trabalho. Quanto mais neutra for a nossa apresentação visual mais facilmente seremos valorizados (ou lembrados) pelo nosso trabalho e desempenho, em vez de pelo modo como nos vestimos.

O sexy

Evitar – por favor! – tudo nesta categoria. O vestido justo, a saia pelo rabo, os calções da praia, o soutien a ver-se, o decote profundo (no peito ou nas costas), as botas acima do joelho, as rendas, as transparências… enfim, vocês percebem a ideia.

O statement

Há vários statements (afirmações) que podem ser feitos, e nenhum deles interessa fazer num espaço de trabalho. Há a afirmação excessiva de personalidade* (com roupas e acessórios muito diferentes e vistosos), há a afirmação-moda** (com escolhas mais excêntricas, mais adequadas a uma fashion week do que a um escritório) e há a afirmação material (com a exibição de marcas de luxo, jóias vistosas ou casacos de pelo) que é despropositada em alguns locais de trabalho.

* Que faz sentido para os autores/artistas/celebridades/personalidades

** Que faz sentido para quem trabalha em moda ou áreas de design/criatividade/filme

*** Faz sentido certamente em algumas áreas ou cargos, mas no geral diria que são elementos distrativos.

O conforto

Já dizia alguém – e bem – que ‘à vontade’ é diferente de ‘à vontadinha’. Tudo bem que se usa o chinelo (slide) e a soca (mule), tudo bem que um camisolão de lã é muito cómodo, tudo bem que os ténis e as t-shirts com ar deslavado estão na moda, ou que não há nada mais quentinho do que um blusão de penas ou cachecol até aos pés, mas talvez seja melhor deixar estas escolhas de conforto total para o fim de semana ou dias de trabalho em casa. Um aspeto cuidado transmite uma imagem de brio e empenho, enquanto uma apresentação demasiado casual pode passar uma ideia de desleixo e desorganização.

Como disse antes e não me canso de repetir: os básicos clássicos com um toque de tendência e acessórios alinhados com o nosso estilo e estilo de vida, são tudo o que precisamos para um guarda-roupa Wear To Work prático, eficaz e cheio de estilo. Aqui ficam variações – graças à adição de acessórios – a uma dupla de básicos que vos mostrei na imagem inicial.

 

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