STRIME: uma relação entre o tempo e a arte pública

O projeto STRIME foi inaugurado, na entrada do Silo – Espaço Cultural no passado sábado, dia 9. A obra combina artes plásticas e digitais com design e performance.

Crestina Martins, trapezista e atriz, aparece em marcha lenta desde a porta de ligação entre o NorteShopping e a galeria de arte do centro comercial. Seguindo uma projeção no chão até ao hall principal, a artista mistura-se com o fio do novelo gigante em exposição e ao som da música de “O Quebra-Nozes”, de Tchaikovsky, sobe pela fita suspensa, enrolando-se nela. Foi com este espetáculo de dança aérea que o projeto STRIME foi inaugurado, no passado, dia 9 de abril, no Silo – Espaço Cultural.

O projeto tem dois momentos: um analógico, que é a String Art, e o digital, representado por 84 relógios que de 12h em 12h vão escrever “Espaço Cultural” com os ponteiros

O trabalho dos “The FleetKolletive” foi o vencedor da primeira edição do Concurso de Arte Performativa, desenvolvido no âmbito da Política de Arte Pública da Sonae Sierra. A obra combina artes plásticas e digitais com design e performance. “O projeto tem dois momentos: um analógico, que é a String Art (STRING) e o digital, representado por 84 relógios que de 12h em 12h vão escrever (com os ponteiros) a palavra ‘Espaço Cultural’”(TIME), explicou Pedro Cascalheira, membro do coletivo artístico autor da criação. String e Time deram origem a STRIME, que culminou com o espetáculo de inauguração em jeito de dança aérea.

Os “The FleetKolletive” são um conjunto de pessoas provenientes de diversas áreas com diferentes formações e que têm um prazer comum. “Fizemos umas experimentações antes de avançar e as coisas começaram a funcionar. Temos a componente digital, mas também uma mais artesanal – a String Art e fizemos uma fusão das duas coisas”, continuou o arquiteto. O coletivo é aberto, ou seja, vai crescendo ou diminuindo à medida que vão surgindo diferentes desafios, mas mantém a presença constante dos três mentores originais – Pedro Cascalheira, Ivo Reis e Sandro Moreira. Aqui, “não há uma hierarquia”, é um coletivo “de igual para igual, aberto”, assegurou ainda. Para além dos três elementos comuns, as outras pessoas vêm por necessidade ou objetivo, dependendo da proposta. Neste trabalho, participaram também Ricardo Da Silva, Rodolfo Correia, Crestina Martins (na dança) e Emmanuel Garrido.

A String Art vem de atividades tradicionais que se faziam na escola, como fazer desenhos com linhas. “Imaginemos uma placa com pregos, onde estes vão sendo ligados com linhas e podemos criar palavras, círculos, estrelas, etc., transportamos isso para o universo da palavra Silo e criamos o cruzamento de um só ponto das linhas reais e a projeção cria as outras virtuais – o que dá origem ao conceito do entrelaçar das linhas que vai beber à String Art”, concluiu Pedro Cascalheira. Do projeto fazem ainda parte três novelos gigantes, espalhados pelo NorteShopping, alusivos à esta arte tradicional.

“os centros comerciais são um excelente palco para este tipo de iniciativas”

Sónia Rocha, coordenadora nacional de arte da Sonae, explica que em termos de programa da arte pública, “as pessoas param para ver o espetáculo” – o que prova que “os centros comerciais são um excelente palco para este tipo de iniciativas”. O concurso foi lançado com o objetivo de “chamar a atenção para o facto de existir o Silo – Espaço Cultural do NorteShopping”. Este foi um conceito de envolvimento e participação do público na construção de uma obra de arte, no caso arte pública.

A inauguração contou também com a entrega de prémios, apresentada por João Fonseca, diretor do centro NorteShopping. Os “The FleetKollective”, como vencedores do concurso, receberam 15 mil euros, valor que inclui a remuneração dos artistas e de todos os recursos necessários à produção e implementação do projeto. Houve ainda destaque para as artistas Diana Amaral e Sofia Lameiras, que receberam duas menções honrosas no valor de mil euros cada, pela participação e criação de trabalhos para a competição, embora não vencedores.

O concurso de Arte Pública desenvolveu-se no âmbito de uma investigação de doutoramento na Universidade Católica do Porto de Sónia Rocha, orientada por José de Abreu, professor de História de arte e júri da seleção em competição.

O Silo – Espaço Cultural do NorteShopping está aberto ao público com dinâmica e exposições mensais. Mantém a sua função de galeria e até dia 1 de maio é possível ver a exposição “Work in Progress – Drawing Life”, de Claúdia Amandi e J. Jorge Marques. A próxima mostra tem inauguração marcada para dia 8 do mesmo mês.

Publicação
25 de Abril de 2016
Categorias
Cultura
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